Blog do Birner

Corinthians tem que rever política de preços para a Arena ser mais Itaquera
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De Vitor Birner

No gramado

O Corinthians patinava no 2° turno. Tinha campanha de rebaixado.

Os atletas não se concentravam como necessário em campo, os desempenhos individuais e coletivo precisavam, com urgência, melhorar. O Palmeiras diminuíra a margem de pontos.

O dérbi era o limite. O tropeço minaria a confiança do  elenco, fortaleceria a do oponente, que teria possibilidade da  remontada épica no torneio de pontos corridos.

A força

Eis que alguém, abençoado pela simplicidade dos sábios, lembrou o que o clube tem de mais valioso. Os portões foram abertos para o treinamento na véspera do clássico.

Milhares compareceram, festejaram, incentivaram o elenco.

Em campo, dia seguinte, os atletas retribuíram com empenho e concentração no cumprimento das orientações de Fábio Carille, mais acertos e uma atuação elogiável.

No dérbi o time atuou com a personalidade dos campeões e garantiu a conquista.

O anímico

No clássico, além de somar os pontos, o time recuperou a confiança no próprio futebol, tal qual mostrou nos jogos seguintes do torneio.

A mudança de comportamento dentro do gramado teve a contribuição do público no dia anterior ao dérbi.

Naquela tarde, a torcida foi o antídoto para tudo que impedia o melhor desempenho dos atletas.

A leste

Gente de Ermelino Matarazzo, Cidade Líder, São Miguel Paulista, Artur Alvim e  de outros bairros da região se uniram com a maioria de Itaquera e vivenciaram de perto a agremiação.

O time jogou o clássico por si, pela torcida que pode pagar e com a qual tem familiaridade, e pela 'convocada'  no momento da necessidade.

O mais sórdido é são os excluídos pelo apartaide econômico no futebol, os anônimos, por méritos elogiados, que continuarão torcendo na frente de uma televisão.

Dos endinheirados

Cartolas estimulam famílias nos estádios, mas inviabilizam para a maioria da região populosa frequentar o jogo.

A opção

Os dirigentes afirmam que o esporte é caro, têm razão, e que o programa de sócios torcedor oferece ingressos acessíveis. Não quero entrar no mérito do que é caro ou barato para a população.

Prefiro referências; o público de sábado tinha perfil distinto do que foi ao clássico. Lembrou o dos antigos frequentadores do Pacaembu, aqueles de antes da 'Ronaldização' do clube, e os atuais do setor norte na Arena de Itaquera.

Não estou dizendo há o pior é o melhor, certo ou equivocado.

Respeito opiniões.

Mas, quando se fala do maloqueiro e sofredor no sentido positivo, construtivo, de reverência á humildade e ao orgulho da própria origem, o povo excluído é o fiel ao perfil cantado na arquibancada.

Os cartolas precisam refletir sobre o que aconteceu no dia anterior ao do clássico. Têm que aumentar a possibilidade para essa gente frequentar a arquibancada nos jogos, inclusive se diminuírem as arrecadações e o faturamento da agremiação.

A democracia

Quem foi levantar o elenco continuará, durante os jogos, nos arredores da Arena de Itaquera. Aumentar o número de torcedores das classes sociais menos privilegiadas é fortalecer a alma do clube de Parque São Jorge.

Alguns pontos

Se coopera na preparação, repete nos jogos.

A arquibancada mais barulhenta é ingrediente relevante do futebol. As 'hinchadas', por exemplo, têm canções imitadas. Há torcidas de alguns países admiradas porque intensificam o ambiente.

São atrativos para o público, incluindo o da televisão. Além disso, contribuem para os times ganharem força dentro de campo.

O 'bairro' precisa entrar com mais moradores na Arena de Itaquera

O esporte

Estádio é para torcer, conviver, criar sensação de pertencimento, além de assistir ao futebol.

Se a ideia for ganhar dinheiro ou obter toda a arrecadação possível, inclusive contrariando a essência do que é a instituição, o estatuto deve se alterado.


Conquista do Corinthians é a mais impressionante das 7 do clube no torneio
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De Vitor Birner

A virtude

Nenhuma conquista é igual. Todas têm personalidade própria, características e marcas que formam a memória de torcedores.

Essa do Corinthians, épica se analisada sob perspectiva técnica, é a mais impressionante dos 107 anos do clube em torneios nacionais.

A principal

Em 90, Neto, Nelsinho, Tupanzinho e cia conseguiram uma campanha de superação.

O time se fortaleceu no mata-mata e ganhou de uma equipe mais técnica na final.

Tal qual os torcedores conhecem, esse tipo de resultado é normal nesse formato de torneio.Ninguém tem motivo para afirmar que o resultado foi uma surpresa ou zebra no clássico.

Esse considero o mais importante do hepta.

A estética

Em 98 e 99 o Corinthians montou os melhores elencos de sua história. Sem exagero eram timaços. Apesar do Palmeiras muito forte e dos mineiros competitivos, prevaleceu o melhor futebol.

Para quem curte o esporte, foram os times mais admiráveis, bonitos, técnicos de todos as conquistas de campeonatos  brasileiros da agremiação.

A polêmica

Em 2005 a MSI montou elenco forte. Jogos foram anulados (não quero entrar no mérito do tema, nem se discordo ou concordo) e teve o diante do Internacional no Pacaembu com o equívoco de arbitragem.

Ressalto que o time era muito bom, mas a conquista foi a mais polêmica de todas que conseguiu no Brasileirão.

Elogiável construção

A primeira da era Tite formou a base campeã invicta do Mundial e da Libertadores. Foi o início da era sistema de marcação muito forte e coletivo como pilares do time de futebol.

Em 2015 o Corinthians tinha, com sobra, as melhores proposta e elenco.

São parecidas, mas a 2° foi a mais previsível do hepta.

Contra tudo

O Corinthians de Fábio Carille é fruto do discípulo que merece reverência tão grande dos torcedores quanto as dispensadas ao mestre do atual campeão do país. Nem Tite enfrentou tanta dificuldade para montar o time ganhador.

A começar pela própria diretoria. Queria Reinaldo Rueda ou Abel Braga.  Ano passado, quando o técnico foi para a seleção, investiu em Oswaldo de Oliveira e Cristovão Borges em vez de manter o então auxiliar.

O elenco do início do ano foi o que sobrou. O caixa vazio dificultou contratações.

Marquinhos Gabriel, Guilherme e Giovanni Augusto, os mais habilidosos, treinavam com intensidade aquém da necessária e Carille planejara, acertadamente, construir ambiente de competitividade e comprometimento.

Nunca me disse, mas conhece futebol e por isso avaliou que no mínimo o endinheirado Palmeiras montaria elenco mais forte e apenas se o Corinthians fosse extremamente concentrado e coeso poderia almejar uma boa temporada.

Quase encerrou contra o Brusque. Mas, pragmático, analisou, se dedicou intensamente para ajustar o necessário e manter o plano de jogo para a temporada.

O primeiro turno foi acima do que o técnico imaginara possível. O próprio Carille, sempre muito honesto, afirmou.

A pontuação era a necessária para gerenciar queda previsível de rendimento. O vento que empurrou soprou contra no 2° turno.

A finalização do oponente desviava e entrava no gol. As do Corinthians eram na trave e as que antes geravam comemorações encerravam na linha de fundo. O então 3° goleiro do Atlético PR teve a atuação da vida em Itaquera. Antes do dérbi, Aranha brilhou.

O time foi perdendo confiança, os laterais pioraram como a precisão de Rodriguinho o desempenho de Romero igual. Jadson quase nada produzia e teve gente criticando o treinador porque o time era repetitivo e necessitava alternativas de proposta de futebol.

O técnico não pode afirmar, mas o problema era muito mais óbvio que essa tentativa de mostrar que a roda é quadrada.

O elenco tinha pouca oferta. O número de atletas que pode utilizar é insuficiente, no planejamento consistente, para conquistar o torneio grande e de regularidade.

Citei apenas alguns problemas.

Mesmo assim é campeão.

Os aplausos

Os atletas e o treinador merecem enormes elogios. Podem entrar como heróis na grande lista de campeões pela agremiação.

Reitero: é a conquista mais impressionante da agremiação no torneio.

Como aconteceu no Estadual, no momento difícil para o Corinthians no torneio, no dérbi em Itaquera, jogou com a personalidade de campeão.

Por méritos

Se alguém quiser afirmar que não mereceu, pode dizer qual clube, nessa edição, foi melhor dentro do campo.


Grêmio teve momentos melhores que os do São Paulo; árbitro merece críticas
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De Vitor Birner

Grêmio 1×0 São Paulo

O time que pode conquistar a Libertadores foi melhor numa parte do jogo, e o que é tricampeão no torneio continental encerrou se impondo no gramado.

A arbitragem dificultou para ambos os times. Os jogadores, mais que o trio, queriam a bola em jogo, mas foram impedidos pelo critério que há apenas no suposto país do futebol.

A dinâmica 

O Grêmio iniciou com sistema de marcação adiantado. O time de Dorival Jr insistiu na transição tocando a bola.

No 1°t, o clube mais bem classificado impôs o que pretendia. Ditou ritmo enquanto teve força física para manter a proposta e mostrou dificuldades na criação.

Nos momentos em que o São Paulo foi a frente tocando a bola, permaneceu no entorno da área e nada construiu.

Teve apenas uma finalização.

A sorte

Após o escanteio e a rebatida, Geromel, sozinho na direita, tocou para área e Arboleda quis tirar a bola.

Acertou Kannemann e o 'hermano' comemorou o gol.

Na primeira metade, ganhou quem mostrou melhor futebol.

A oportunidade

O treinador orientou o elenco e optou por Lucas Fernandes na vaga de Maicosuel. O time foi mais intenso após os ajustes de Dorival.

Com o sistema de marcação avançado, manteve a bola na frente para igualar o resultado. Ofereceu lacunas ao Grêmio que, com a transição em velocidade, podia conseguir mais um gol.

Ramiro a forçou grande participação do Sidão. O goleiro tocou na bola, que quicou antes de ir a centímetros da trave  à linha de fundo. Foi abençoado.

Dorival fortalece

O Grêmio foi piorando e o São Paulo se fortalecendo. Renato Gaúcho mexeu para elevar o padrão.

Éverton substituiu Fernandinho. O lateral Araruna em alguns lances foi driblado com facilidade. Ali era o melhor caminho para ampliar o resultado. No minuto seguinte, o técnico quis poupar Lucas Barrios e pôs Jael no gramado.

As alterações nada agregaram.

Dorival respondeu com Junior Tavares por Petros. O time entrou na área, conseguiu tabelas pelo meio, achou algumas brechas pelos lados e finalizou.

A arbitragem

Grêmio e São Paulo entraram para atuar com a bola. Quem foi ao gramado cumprir as regras parou o jogo mais que o necessário.

Assinalou faltas inexistentes no padrão Brasil, mostrou cartões á toa e, nos momentos mais difíceis, abandonou o rigor. Quase complicou o jogo fácil.

Assim que Júnior Tavares foi ao campo, Lucas Pratto igualou e o gol foi invalidado por impedimento. Lance difícil. Tive impressão que o auxiliar se equivocou. Se acertou merece elogios.

O critério que implementou sugere que teve pênalti de Rodrigo Caio quando o resultado era de empate.

Me incomoda, mais que os momentos duvidosos (poderiam alterar o resultado), quem assinala falta em qualquer toque, porque assim é fácil manter o padrão no gramado.

A proposta estraga a dinâmica do jogo, mas diminui a possibilidade dos clubes reclamarem pela ausência de critério. Em suma, é uma estratégia que compromete o andamento e coloca a arbitragem acima do futebol.

O gigante

Dorival mandou Gilberto ao campo na vaga de Araruna e recuou Marcos Guilherme para a lateral.

Lucas Fernandes, de peixinho, sozinho, após o lançamento do Júnior Tavares, cabeceou nas mãos de Marcelo Grohe.

Renato trocou Ramiro por Michel. O técnico estava incomodado com o andamento favorável á agremiação do Morumbi.

A alteração manteve a dinâmica igual.

Lucas Pratto, após uma rebatida, podia finalizar diante do goleiro, mas o gremista que entrara minutos antes foi preciso no carrinho e permitiu a Marcelo Grohe fechar o ângulo na finalização.

O goleiro foi o craque em campo. Nos acréscimos, em frente ao centroavante, conseguiu a intervenção mais difícil  do fogo e garantiu o resultado positivo.

Ficha do jogo

Grêmio – Marcelo Grohe; Edílson, Geromel, Kannemann e Cortez; Jailson e Arthur; Ramiro (Michel – 37'/2ºT), Luan e Fernandinho (Everton – 24'/2ºT); Barrios (Jael – 25'/2ºT). Técnico: Renato Gaúcho

São Paulo – Sidão; Araruna (Gilberto – 33'/2ºT), Arboleda, Rodrigo Caio e Edimar; Jucilei; Marcos Guilherme, Petros (Júnior Tavares – 26'/2ºT), Hernanes e Maicosuel (Lucas Fernandes – intervalo); Pratto. Técnico: Dorival Jr

Árbitro: Rodolpho Toski Marques (Fifa-PR) – Auxiliares: Bruno Boschilia (Fifa) e Victor Hugo Imazu dos Santos


Amistosos mostraram o que Tite precisa aprimorar na seleção
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De Vitor Birner

Mais fácil

Os amistosos diante de Japão e Inglaterra mostraram a necessidade do Brasil melhorar em alguns pontos. No primeiro, as alterações dificultaram o toque de bola, tanto é que os nipônicos ditaram o ritmo quando adiantaram todas as linhas.

O técnico evitará citar isso porque precisa gerenciar o elenco, mas se preocupa com o desempenho do time na ausência de alguns atletas. Giuliano, por exemplo, comprometeu o toque de bola para a transição á frente.

Alex Sandro, Douglas Costa, Diego Souza e Jemerson foram incapazes de manter o padrão dos mais escalados. Danilo e Fernandinho conseguiram atuar melhor entre os testados.

A dinâmica

A Inglaterra nem tentou adiantar o sistema de marcação. Necessitando entrosamento, pois Gareth Southgate foi contratado no final do ano anterior, repetiu a proposta de futebol que implementou diante da Alemanha e garantiu a igualdade no resultado.

No 5-3-2 com alternâncias para se adaptar as exigências do jogo, atuou recuado, orientou o time a tocar a bola quando o oponente avançasse e a investir nos lançamentos para a dupla de frente.

A ausência do Dele Alli contribuiu para o técnico optar por tal proposta de futebol. O goleiro Joe Hart pouco participou do jogo.

Tite colocou os principais atletas no gramado.

Phillipe Coutinho, na direita, talvez porque estava machucado, foi mal. Gabriel Jesus participou da criação e os colegas nenhuma oportunidade construíram para o centroavante.

Neymar se movimentou, tentou achar as lacunas, mas teve dificuldades no último toque e na finalização.

O quinteto da primeira linha inglesa fechou as brechas diante do time pragmático. Tite permite que o trio de frente se mexa. O problema é que os jogadores dr Liverpool e PSG insistem em atuar na diagonal. Se em alguns momentos fossem para o fundo e os laterais por dentro, confundiriam o sistema de marcação.

Guardiola implementa tal dinâmica. Alguns 3-5-2 na década anterior já tinham essa movimentação para os alas criarem momentos de gol.

O treinador sabe que necessita melhorar mais pontos do coletivo.

O essencial

O Japão comemorou o gol de cabeça. Jemerson se equivocou.

Em Wembley, mesmo com Marquinhos e Miranda, ambos titulares, a Inglaterra ganhou um lance desses e Alisson foi preciso ao impedir a finalização, após a bola sobrar para Lingard dentro da área.

Tite é mestre em construir sistemas de marcação fortes. Tem que garantir a força coletiva nos cruzamentos.  Quem oscila nisso, não conquista grandes torneios.

A adaptação

Renato Augusto é o atleta mais inteligente na leitura de jogo dentro do gramado. Completa o que for necessário para o coletivo.

Tite avaliou que o elenco precisa de opção ou, se possível, concorrência, e investe em Fernandinho, mais forte que o colega na parte física e que pode elevar o próprio padrão sob orientação de Guardiola na Premier League e Liga dos Campeões da Europa.

O fortalecimento

Seria atípico a seleção acertada plenamente na parte coletiva. A construção gradativa, tijolo em cima de tijolo, continua e merece elogios.


Suécia malandra, retranqueira e italiana elimina a gigante do futebol
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De Vitor Birner

Ranking raiz

Brasil em primeiro, seguido por Alemanha e Itália empatadas na segunda colocação. Os 'hermanos'  são os últimos e completam o grupo de seleções que podem ser consideradas gigantes. Nenhuma outra pertence á elite.

França, Espanha, Inglaterra, Uruguai, Holanda e mais nenhuma podem ser classificadas como grandes.

Todas as demais no planeta são medianas, pequenas ou minúsculas no futebol.

A frustração

A Azzurra, mítica, está fora do Mundial. Foi eliminada por uma seleção que quase entra no grupo das grandes.

A Suécia, que tem um vice diante do Brasil de Pelé, Garrincha e Didi, e disputou quatro semifinais no torneio, investiu no ferrolho padrão Itália para se classificar.

As estatísticas

A Itália permaneceu com a bola 75% do tempo. Acertou 89% dos 712 toques, bom percentual. A Suécia completou míseros 117 que foram 60% dos que tentou no jogo.

A Azzurra finalizou vinte e em seis forçou o goleiro Olsen, do Kobenhavn, quinto colocado nos pontos corridos da Dinamarca, a atuar. O oponente conseguiu duas e o Buffon numa foi exigido em participação fácil.

Nos escanteios o resultado foi 8×0 para a gigante. Como o jogo é futebol de campo em vez de gol a gol, onde tais lances e os na trave são contabilizados, os suecos mereceram a igualdade.

Clubes melhores

No momento em que Juve, Napoli, Roma e mais times do país atuam com ousadia, a seleção mostrou poucas alternativas na criação.

A Itália teve a iniciativa e ditou o ritmo no San Siro. Atuou com os 10 atletas de linha no campo de frente, manteve a bola no entorno da área e, como times que necessitam ganhar e não transformam a imposição em grandes momentos de gol, forçou os lances pelos lados e investiu em montes de cruzamentos.

Entrou algumas na área, conseguiu finalizar, mas quase nenhuma pode ser classificada como grande oportunidade para comemorar. Apenas duas foram boas, pouco diante do enorme volume de jogo.

É nítido que o repertório de criação dos principais clubes é mais amplo que o da eliminada.

O 'catenaccio'

A Suécia se impôs com a proposta que pertence á cultura italiana de futebol. Manteve o sistema de marcação recuado, formou dois quartetos e em grande parte do jogo ninguém atuou em frente á linha da bola. Os atletas nem sequer tocaram de lado para impedir a intensidade de quem necessitava do resultado positivo.

Foi o tal do ferrolho, o 'catenaccio', que outrora garantiu algumas conquistas para a gigante.

Malandragem sueca

Os jogadores rolaram pelo gramado em lances que, se o time necessitasse gols, seriam breves para levantarem. O goleiro optou por demorar e ganhar minutos que nunca são plenamente acrescidos.

Pressa foi algo que a Suécia retirou do dicionário nesse jogo.

Os atletas reclamaram contra decisões do árbitro (duas foram pertinentes). Diante do incômodo da Itália com o andamento, o  elenco investiu em simulações como as que acontecem no esporte dentro do continente sul-americano.

A estrutura

Me pergunto como o futebol e a sociedade nórdica, tais quais as doutras nações desenvolvidas, seriam atualmente, se os cidadãos tivessem condições similares as dos brasileiros para saúde e educação.

A necessidade

Reitero: o esporte é lúdico, permite blefes, por isso a Suécia acertou ao dificultar o andamento do jogo.

O mérito

Nos critérios atuais foram 2 pênaltis nos contatos da bola com os braços dos jogadores, ambos para Suécia.

A Itália quis outros. No Brasil talvez assinalassem um, pois a turma neo afirmaria 'tocou nas costas do  italiano', mas seguiu, pois foi jogo da eliminatória na Europa.


O roteiro previsível em Itaquera; Corinthians ganha com um gol de Kazim
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De Vitor Birner

Corinthians 1×0 Avaí

O gol de Kazim era o roteiro previsível especificamente para esse jogo. O momento e a campanha do time, com todas as minúcias que os mais atentos ao futebol interpretam, afirmavam que seria do centroavante.

Palpite é para adivinho. Ninguém, seja cartola, atleta ou treinador, pode garantir antecipadamente o resultado e o artilheiro.

Mas esse era fácil. O futebol, ás vezes, é clichê.

O jogo foi um desses nos quais o inusitado antes do início se transformara no óbvio dentro do gramado.

A dinâmica

O Corinthians teve a iniciativa. O Avaí queria assim. O andamento foi como ambos os times pretendiam. Quem acertasse mais ganharia.

O líder atuou com sistema de marcação adiantado. No 4-4-1-1 permaneceu no campo de frente, tocou a bola, teve dificuldades para finalizar e em alguns lances se equivocou ao antecipar tentativas de assistências e cruzamentos.

Romero e Clayson, pelos lados no quarteto em que Camacho e Gabriel atuaram por dentro, foram os mais acionados. O clube forçou a criação em.ambos os setores.

O técnico pediu os avanços dos laterais para as triangulações.

A dupla na frente teve Rodriguinho diante do quarteto no meio de campo e Kazim. O centroavante, orientado por Fábio Carille, repetiu as movimentações de Jô, mas foi incapaz de manter o padrão físico e técnico do artilheiro.

O oponente investiu no ferrolho e na transição em velocidade. Cumpriu apenas metade das necessidades. A ausência de Jô facilitou.

Tinha que incomodar. Ao recuperar a bola, atuar em direção ao gol, testar o goleiro de pouca rodagem, mas foi nulo na criação.

A alteração

Carille optou por Jadson no 2°t na de Camacho. Era necessário elevar o padrão técnico contra o time que nem sequer quis manter a bola no campo de frente.

O veterano podia, tal qual o técnico orientou, quebrar o galho na dupla de volantes, formar o 4-1-4-1 tal qual mostrou no gramado, e contribuir para a construção do resultado almejado pela torcida na arquibancada em Itaquera.

Água mole

No jogo de raros momentos de gol, quem o procurou ganhou.

Após a mexida, rapidamente, em mais um cruzamento, esse de Guilherme Arana,  Kazim garantiu o resultado positivo.

Depois o Avaí foi para frente e quase nada construiu. Nos acréscimos, depois da falta de atenção do sistema de marcação do Corinthians,  Maurinho recebeu a bola na área, mas foi incapaz de ajeitar para finalizar.

O Corinthians mereceu ganhar.

Ficha do jogo (atualizado)

Corinthians – Caique; Fagner, Pablo, Balbuena e Guilherme Arana; Romero, Gabriel, Camacho (Jadson) e Clayson (Marquinhos Gabriel); Rodriguinho (Maycon) e Kazim. Técnico: Fábio Carille

Avaí – Douglas; Maicon, Alemão, Betão e João Paulo; Judson (Caio César) e Simião; Rômulo, Marquinhos e Luanzinho (Maurinho);  Junior Dutra Técnico: Claudinei Oliveira

Árbitro: Dewson Fernando Freitas da Silva (PA) – Assistentes: Hélcio Araujo Neves e José Ricardo Coimbra


Tite deveria liberar Cássio; clubes são mais importantes que seleções
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birner

De Vitor Birner

Ao contrário

Temos uma ordem invertida, clichê, obsoleta, pouco profissional e implementada quando o esporte era amador.

Os clubes merecem ser colocados acima das seleções na utilização de atletas.

O futebol

Quem forma os jogadores, investe em preparação, estrutura e salários, mantém a rotina do torcedor.

É fonte onde os selecionados retiram o pé de obra. Se acabar, zefini para os badalados  convocados para representarem algum país.

Lado forte

A dependência é unilateral. Por isso, acima do patrotismo piegas direcionado para lucro da CBF, tem que prevalecer a agremiação.

A necessidade

O Corinthians tem o torneio nas mãos. O feito enorme, potencializado se considerarmos os elencos de todos os clubes, será mais fácil com goleiro rodado.

Walter se machucou e Fábio Carille quer o retorno de Cássio. Podia optar pelo Caique França, mas talvez o técnico, que conhece o estágio do novato, avalie a necessidade do disponível se prepararat mais antes de atuar.

Pode nem ser pela minúscula, quase nula, possibilidade de o time encerrar o torneio sem comemorar. O técnico tem que avaliar se atrapalhará a carreira do goleiro revelado nas categorias de base da agremiação.

O atleta

Se Tite pretende escalar Cássio e afirmou isso ao próprio, o atleta ficará indignado com a perda da oportunidade na seleção.

Pode criar problemas ao treinador da agremiação. Atleta incomodado costuma ter rendimento abaixo da média, inclusive se quiser manter padrão do desempenho.

A goleada

O Corinthians atuará nas rodadas finais  do torneio. A seleção disputará amistoso.

Além da prioridade da agremiação diante do selecionado, há a da competição frente o jogo de preparação.

Todos precisam entender. Isso é parte do fortalecimento do  futebol.

O exemplo

Muito mais que uma seleção competitiva, o país necessita de clubes competitivos e elogiáveis.

Repare a rotina na Inglaterra; O público reclama do preço dos ingressos, mas está alegre com o que assiste dentro dos gramados.

Alguns 'supporters', ás vezes, incomodados com a seleção, esbravejam pelos resultados.

A rotina da Premier League compensa porque oferece o melhor torneio de clubes do planeta.

Em suma, o esporte, sejam quais forem os resultados da seleção – melhoram o astral da torcida se forem positivos -caminha muito bem no país da Europa.

Dera fosse igual no único pentacampeão do planeta. Aqui a rotina oferece times razoáveis,  atletas querendo ir embora, almejando jogarem na seleção montada por alguma agremiação, mais forte que.as de qualquer nação.

Temos muito mais discussões sobre a arbitragem e bobagens pessoais dos atletas, que sobre dinâmica de futebol.

A opinião

A agremiação quer o Cássio e o técnico espero que facilite. Mas Tite, se permitir, terá que manter o padrão sempre que cartolas pedirem algum atleta.

Talvez, por isso – esteve nos clubes, conhece o calendário – pensará muitos para dizer sim.


Corinthians ganha com Walter, sorte, arbitragem fraca e pouco futebol
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birner

De Vitor Birner

Atlético 0x1 Corinthians

O Corinthians esqueceu o futebol no dérbi. O Atlético ditou o ritmo e atuou para ganhar.

Tropeçou por incompetência nas finalizações, equívocos de arbitragem no critério dos cartões e, talvez, um do Weverton, no lance nem tão simples para o goleiro.

Além disso, o líder teve a graça da sorte.

A dinâmica

Fábio Carille orientou o sistema de marcação a jogar adiantado. Queria incomodar o oponente tal qual conseguiu no dérbi.

Uma vez, aos 5, Camacho recuperou a bola e Romero finalizou.

O Atlético, depois, conseguiu seguidas transições com toques a frente, forçou o líder a recuar e a investir no clichê dos lançamentos cumpridos e velocidade como única opção para construir momentos de gol.

Quase nada

O problema foi o meio de campo. Apesar de formar o 4-4-1-1 ou no 4-5-1 como o treinador queria, o último quando Rodriguinho recuou para formar o quinteto, ofereceu brechas.

Os setor precisava mais intensidade. Pouco adianta recompor o sistema de marcação, em tempo, como na maioria dos lances conseguiu e faltar a preciosa concentração que no turno gerou tantos elogios e força coletiva.

A sorte

Felipe Gedoz acertou a bola na trave. Por centímetros, antes do vigésimo minuto, o Atlético não conseguiu o gol que forçaria o oponente a adiantar todas as linhas.

A incompetência

Nikão desperdiçou o pênalti. Walter pulou na direita e o atacante finalizou no meio, nas pernas do goleiro. Facilitou a consagração do atleta que pouco atua é quando entra no gramado costuma ganhar elogios.

Além dessa, as melhores oportunidades foram do time que almeja conquistar a vaga na Libertadores.

A arbitragem

O pênalti foi do tipo neo, padrão Fifa, modinha, tradicional no país.

Nikão investiu no cruzamento e a bola tocou no braço do Fágner, que nem sequer cogitou interromper a trajetória na área.

Como citei desde quando criaram essa bobagem, segue o jogo. Mas, aqui, tais lances são assinalados e o árbitro por isso acertou.

A única justiça no futebol é a igualdade nos critérios em todo o torneio.

Os cartões

A arbitragem tropeçou e o Atlético pode reclamar.

No 1°t, Pablo tinha que ser excluído. Pisou em Lucas Fernandes, de propósito, após falta duvidosa de Balbuena.

Minutos depois, Thiago Heleno retribuiu, intencionalmente, no carrinho exagerado em Romero.

O cartão para o zagueiro poderia ser doutra cor.

No 2°, Maycon, atrasado na recomposição do sistema de marcação e com o jogo empatado, optou pela falta em Lucas Fernandes e parou o contra-ataque quando o oponente estava na frente com a bola. Lance clássico de amarelo para o volante que recebera outro anteriormente e merecia a exclusão do gramado.

Fábio Carille, preciso, quase imediatamente colocou Paulo Roberto na vaga do beneficiado para encerrar o jogo com todos os atletas possíveis em campo.

A única

O Corinthians em todo 2°t  conseguiu uma finalização. Foi no lance do gol.

Giovanni Augusto entrou para otimizar a criação porque Clayson, nesse jogo, nada construiu.

Nem sequer tenho certeza se o jogador quis finalizar ou mandar para a área. O goleiro facilitou.

Teve dúvidas se Rodriguinho tocaria na bola e ela foi onde queriam os milhões de torcedores do único favorito a conquistar o torneio.

O líder, que parecia alegre com a igualdade, comemorou, no final, o resultado positivo.

O craque

Walter, que se machucou, foi o destaque. O goleiro brilhou.

Ficha do jogo (atualizando)

Atlético – Weverton; Jonathan, Paulo André, Thiago Heleno e Fabrício; Esteban Pavez e Lucho González; Lucas Fernandes (Matheus Anjos), Felipe Gedoz (Douglas Coutinho) e Nikão (Pablo); Ribamar. Técnico: Fabiano Soares

Corinthians – Walter (Caique França); Fagner, Balbuena, Pablo e Guilherme Arana; Maycon e Camacho; Romero, Rodriguinho e Clayson (Giovanni Augusto); Jô. Técnico: Fábio Carille

Árbitro: Wagner do Nascimento Magalhães (RJ) – Assistentes: Rodrigo Henrique Correa e Thiago Correa


Jô nem sequer devia ter sido julgado pelo STJD
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birner

De Vitor Birner

Auditores extrapolam

O árbitro viu o lance de Jô com o zagueiro da Ponte Preta. A interpretação foi que o centroavante não merecia o cartão.

O STJD interferiu. Decidiu que o atleta tinha que ser julgado e suspenso por um jogo. Alterou a opção do especialista no cumprimento das regras dentro dos gramados.

Em suma, os auditores exerceram o que cabe apenas a quem se preparou para ir ao campo impor a regulamentação do jogo de futebol.

De ambas

Discordo quando o STJD aprecia qualquer lance que árbitros e auxiliares foram incapazes de perceber no jogo. Permiti-los é opção dos cartolas que por muito tempo rejeitaram a eletrônica para encerrar algumas dúvidas do esporte.

A suspensão de Jô, como aconteceu em edições anteriores, mexe na decisão de quem impôs as regras no gramado.

Nem sequer pode ser generosamente avaliada como complemento das mesmas.  É uma alteração do que foi decidido pelo árbitro que a CBF optou para o clássico.

A inutilidade

Tal interferência permite aos torcedores uma série de reclamações.  Os do Palmeiras, após o STJD avaliar que o atleta merecia exclusão, pode se achar prejudicado porque o centroavante cumpriria suspensão no clássico.

O artilheiro foi decisivo nesse, tal qual noutros, e, na temporada, em nenhuma das poucas ausências o Corinthians manteve desempenho igual ao dos momentos positivos atuando com o principal jogador do elenco.

Citei apenas uma agremiação. Há mais atrapalhadas ou beneficiadas, inclusive indiretamente, tanto na disputa pela conquista quanto pela permanência na elite, por quem interpretou o lance e teve a avaliação alterada.

Tudo isso é ruim para o nosso futebol.

Uma chatice

O Santos preferia o empate ou o resultado positivo do Palmeiras no clássico. Almeja a conquista do torneio.

O Avaí será zebra diante do Corinthians, mas, se tivesse opção, jogaria contra o líder desfalcado de Jô, tal qual acontecerá na próxima rodada.

Quem disputa permanência na elite, apesar de nada ter a ver, olha torto, porque atuou diante do líder com o artilheiro.

Para todos

O STJD entra no gramado há muitas temporadas. Atua como se fosse árbitro depois do jogo.

A gente, no país, nem sequer tem o critério homogêneo de regras nos jogos e rodadas. Ou os auditores determinam um e interferem em tudo estragando o esporte, ou respeitam interpretações e a dinâmica.

Os cartolas demoraram para aceitar a eletrônica. Dificultaram e isso é parte do esporte.

O futebol

A arbitragem se equivocou. Jô merecia exclusão diante da Ponte Preta e, consequentemente, a suspensão.

Mas, reitero, ninguém deve mexer na interpretação da arbitragem.

Se pode nisso, tem que incluir os pênaltis, impedimentos, faltas e os cartões amarelos.


Entenda o que pretende Carille ao mexer no time para o clássico
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De Vitor Birner

As alterações

A opção por Camacho em vez de Maicon é para melhorar o toque de bola, principalmente o longo. A de Clayson pelo Jadson aumenta a velocidade na transição á frente.

Além disso, se quiser sistema de marcação adiantado, o jogador contratado na Ponte Preta tem mais força, no momento, que o veterano que brilhou com Tite.

Fábio Carille mexe na formação, adapta  a proposta as características possíveis do clássico.

O Palmeiras

Alberto Valentim, desde o 1° jogo que foi técnico nessa edição dos pontos corridos, orientou o time a ter iniciativa. Jogou para ganhar.

Força os lances pelos lados. Moisés e um dos volantes se revezam nas triangulações com Maike e Keno na direita, e Egídio e Dudu do outro lado.

Os laterais avançam, mas são vulneráveis na marcação. A proposta exige a recomposição com velocidade e precisão.

Carille quer construir os gols nessas lacunas.

O andamento

Os problemas para o técnico do Corinthians são: o time, nos últimos jogos, foi vulnerável quando o sistema de marcação permaneceu recuado.

Tomou gols em cruzamentos, inclusive de escanteio, e foi incapaz de montar o ferrolho que exige a proposta.

Mas se atuar aberto, o momento e a técnica sugerem que aumentará a possibilidade do tropeço.

O meio termo é muito bonito no papel e em campo dificílimo com o que oferece o elenco.

O treinador precisa optar: o mais provável é orientar os laterais e os zagueiros a atuarem diante da área do Cássio. São 36 metros da linha do meio de campo para a da área. Se os mais recuados permanecerem compactados onde Carille pretende, haverá entre 8 e 10 jogadores em cerca de 25 metros impedindo a construção de gols.

Dali, os cruzamentos são com zagueiros  do líder de frente para a bola e as finalizações difíceis de acertar. O dilema é que o segundo colocado tem ganhado contra quem atuou dessa forma e o líder perdido ao adotar proposta similar a da campanha brilhante no turno.

As chaves

Carille tenta fortalecer o coletivo, investe em alterações, ajusta a proposta, mas para a fase melhorar os atletas têm que aumentar os acertos.

Os laterais, por exemplo, podem resolver o jogo, se atuarem como no 1° turno. O Palmeiras investirá na criação e oferecerá lacunas em seus setores.

O momento

O Palmeiras tem jogado futebol melhor que o do Corinthians. Onde o time mostra força o oponente comete equívocos. Mantidos os padrões de futebol, o segundo colocado tem mais chance de ganhar.

O anímico

Mas é um clássico turbinado, a parte emocional, se os atletas permitirem, pode entrar com mais força no gramado e interferir nos desempenhos individual e coletivo.

O imponderável

Há ações que o ser humano pode fazer para ganhar, mas o esporte as vezes as ignora e decide quem sai alegre do campo.

A bola na parte de dentro da trave, que por poucos centímetros impede a comemoração, a que desvia a finalização  e altera o resultado, a atuação muita mais inspirada que a média de qualquer atleta são alguns dos quesitos que exigem a benção da sorte e podem resolver o dérbi.

Esses ninguém pode planejar. São da essência do futebol

A torcida

Para Daronco e os auxiliares conseguirem uma grande arbitragem e o resultado ser fruto apenas dos acertos e equívocos, de azar ou da sorte de quem entrou no gramado como atleta de futebol.