Blog do Birner

Me pergunto se o futebol tem algo contra o Atlético de Simeone
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De Vitor Birner

Todo o possível

A ciência, os números e as propostas coletivas são indispensáveis porque aumentam as possibilidades de os clubes conseguirem o que pretendem na temporada.

Os alicerces da preparação têm que ser praticados, desenvolvidos, são indispensáveis, mas ao contrário do que muita gente afirma, oferecem apenas parte de garantia.

Tenho convicção que os técnicos na semifinal da Liga dos Campeões, se tinham dúvidas disso, aprenderam mais sobre o esporte mágico. O do Real Madrid com o sorriso e o do Atlético impotente enquanto tentava as vãs soluções para os atletas atuarem no mínimo dentro do rotineiro padrão.

A preparação elogiável e o desempenho 

O Atlético atingira o ápice do próprio desempenho na temporada. Atuara 8 vezes em abril e em todas obtivera gols e resultados positivos.

Foram 14 favoráveis. Apenas duas vezes Oblak teve que buscar a bola onde qualquer goleiro tenta impedir. Esses jogos terminaram com empates que mereceram aplausos da torcida.

Conseguiu 0 1×1 no clássico do Santiago Bernabeu pelo campeonato do país,  e em Londres, contra o Leicester, na classificação para a semifinal da Liga dos Campeões.

O elenco adquiriu a estabilidade para tentar ganhar o torneio e encerrar em alta a temporada.

O último jogo havia sido o 5×0 frente o Las Palmas no Estádio Gran Canária. O pequeno clube, diante dos seus seguidores, tropeçara duas vezes no torneio de pontos corridos.

Tudo indicava que a semifinal seria difícil para ambos os times da capital  Era impossível imaginar que o Madrid teria tanta moleza para impor o ritmo, finalizar e conseguir o resultado que o torna favorito.

Me pergunto como o técnico mais rodado poderia antever a abrupta queda do rendimento. Tem o perfil dos que permanecem atentos. Identificaria acomodação, problemas com algum atleta, ou nariz torto que diminuísse a união no gramado.

O 'hermano' saberia do declínio grande do estágio de preparação física e capaz de anular o que implementa na temporada. .

Ou seja: nada havia para o treinador consertar ou reorganizar. Estava tudo nos conformes e, ao entrar em campo,  o padrão tão competitivo quanto elogiável simplesmente sumiu no elenco.

Nem adianta cogitar a formação ou a tática. O 4-4-2 intenso amoleceu, a imprescindível compactação das linhas afrouxou e houve brechas pelos lados, as mesmas com as quais  inutilmente  sonharam os superados pelo Atlético no mês de invencibilidade.

A solução, o vilão, o grande equívoco e as tradicionais respostas são inócuas e pobres para embasar o que houve com um dos grupos de atletas mais bem preparados e guerreiros do planeta.

Resta a todos a tentativa da improvável classificação no Vicente Calderón. Observar e entender os momentos em que o esporte foi cruel e driblou os méritos e o esforço dos seres humanos é gesto de sabedoria e fonte de fé onde pingam as gotas que mantêm a expectativa do milagre da classificação.

A prática que contrariou a teoria   

O Atlético disputou duas finais de Liga dos Campeões, nessa década, diante do Real Madrid.  Bateu na trave da conquista.

Merecia ganhar a primeira em que o Sergio Ramos igualou o resultado nos acréscimos e o time de Simeone, na prorrogação, desmoronou na parte física porque o elenco de poucas opções dividiu forças nas tentativas de conquistar o torneio continental e o de pontos corridos.

Na seguinte. tropeçou na série de pênaltis.

A semi na teoria podia ser seria menos complicada que essas finais.

O maior ganhador na Europa oscilou. Em todos os jogos, tanto na fase de grupos quanto na seguinte, tomou gols. Os desempenhos de ambos  sugeriam que a possibilidade da eliminação inédita no clássico  era maior que nas edições anteriores da Liga dos Campeões.

Na prática o que tem muito mais troféus conseguiu o vareio, foi exímio, e mereceu o resultado.

De inédito, mesmo, houve o apagão de quem necessita golear para se classificar. Após Simeone ter sido contratado, essa foi a atuação mais fraca do time no mata-mata da Liga dos Campeões.


Baile do Corinthians na final; ou a Ponte tremeu ou se acomodou na soberba
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De Vitor Birner

Ponte Preta 0x3 Corinthians

A Ponte Preta, após a fase de grupos, teve caminho mais difícil que o do oponente na decisão do Estadual. Mostrou enorme concentração e ganhou dos clubes que iniciaram como maiores favoritos do torneio.

O Corinthians, nos jogos eliminatórios, apesar de manter o sistema de marcação forte, oscilou. O torcedor reclamou do que assistiu nas quartas-de-final.

Nada indicava que a final seria tão fácil para qualquer lado. Me refiro à dinâmica em campo e margem de gols.

Tamanco ou amarelou

A Ponte tinha que ditar o ritmo.  Mostrou capacidade diante de Santos e Palmeiras, ambos com sistema de criação superior ao do Corinthians. A intensidade e a concentração de Potker e cia garantiram nesses jogos o êxito da agremiação.

O time foi capaz de alternar o sistema de marcação recuado ou adiantado, de acordo com o estádio e andamento no gramado.

Soube avaliar quais fragilidades havia para construir oportunidades.  Correu muito, pensou mais, e mereceu elogios pelas classificações.

A concentração parece ter sido esquecida na final.

Ou o time, empolgado pelos resultados. calçou 'chuteiras de saltos', ou a proximidade da conquista inédita contra o maior ganhador no Estadual fez os atletas balançarem. A atuação do time foi muito abaixo do padrão mostrado na Vila Belmiro, Allianz Parque, e principalmente nas atuações em frente da própria torcida.

Corinthians se impõe com grande facilidade

O andamento inicial foi o que a maioria imaginou. Ambos os times cautelosos, a Ponte com mais iniciativa, e ninguém oferendo as brechas para o oponente finalizar em gol.

Houve 10 minutos, talvez pouco menos, de igualdade.

Depois, gradativamente, o Corinthians foi tomando as rédeas técnicas, táticas e principalmente emocionais dentro do gramado.

Teve a oportunidade para sair na frente em lance construído por Fagner na direita.

O gol aconteceu após Cássio mandar a bola ao campo de frente no tiro de meta, Jô ganhar pelo alto, Romero receber a bola e tocar ao centroavante, na área, que fez o pivô e acertou precisa assistência para Rodriguinho diante de Aranha finalizar e comemorar.

Distribuo elogio para as grandes contribuições

O artilheiro dos clássicos, que encerrou em branco esse jogo, tem que  ser aplaudido. Os lançamentos para o centroavante foram a saída do Corinthians quando a Ponte Preta fechou as lacunas e houve o que gerou o gol decisivo no andamento favorável à agremiação de Itaquera.

Ponte Preta investiu nos lances pelos lados e nos muitos cruzamentos, a maioria na direita, onde Nino Paraíba foi lateral, Jadson apoiou, e Cleyson alternou com Potker quem se disponibilizou como opção para completar a possibilidade das triangulações e de abrir lacunas nas quais alguém poderia finalizar dentro da área.

Naquele 'setor, Arana foi lateral, Pablo zagueiro, Romero ala e Maycon o volante.

Brilhou o sistema de marcação do Corinthians porque ganhou todos os cruzamentos.

No país do culto ao egoísmo e individualismo acima de tudo, onde a necessidade de se inventar heróis e vilões goleia a humildade que garante as discretas e imprescindíveis contribuições ao coletivo. a maioria se esquece que o equívoco numa única dessas muitas tentativas da Ponte Preta redundaria em igualdade do resultado e, provavelmente, alteraria a dinâmica da final pelo impacto tanto na arquibancada quanto dentro do gramado.

Todo o sistema de marcação se empenhou no cumprimento das precisas orientações de Fábio Carille, manteve seriedade plena do início ao último minuto e consequentemente a concentração, alicerce para conquista do resultado muito positivo.

A troca tão necessária quanto ineficaz

Ponte Preta insistia nos cruzamentos. Nenhum problema havia, desde que alternasse com finalizações de fora de área e algumas tentativas de tabelas pelo meio, onde Gabriel e Rodriguinho receberam o amarelo.

Após as conversas com treinadores no descanso dos atletas, houve duas mexidas. O lateral Reinaldo e o volante Jadson saíram para o meia Renato Cajá e Artur entrarem.

As alterações diminuíam a força do meio de campo da Ponte Preta para fechar lacunas. Em tese, aumentavam o potencial do setor na criação. Renato Cajá podia agregar opções ao repertório do time que investia apenas em lances pelos lados

A orientação para o sistema de marcação iniciar as tentativas de retomar a bola na área completou a tentativa de elevar o padrão  .

Os atletas aumentaram a intensidade, e por alguns minutos frequentaram, em vão, o campo de frente. Nenhuma oportunidade conseguiram para igualar.

Alvinegro eleva o padrão

A Ponte, ao preferir adiantar o sistema de marcação, abriu lacunas atrás. Tinha que alterar a dinâmica para cogitar o resultado positivo.

No 1° momento em que o oponente achou uma dessas brechas, o Rodriguinho brilhou. Correu com a bola, driblou Fernando Bob,  e acertou uma daquelas assistências precisas para Jadson finalizar e comemorar. .

A arquibancada silenciou e os atletas ponte-pretanos perderam o rumo. Os lances individuais e cruzamentos foram as únicas alternativas nas quais investiram para ultrapassar o bloqueio.

Foram inúteis porque o sistema de marcação do oponente manteve a superioridade nos cruzamentos.

O último gol do Corinthians pode ser avaliado como  o símbolo do que sentiam os atletas naquele momento do jogo. A pane foi enorme. Lance de condomínio. Fagner cobrou lateral na área, a bola quicou e o Rodriguinho em frente ao Aranha cabeceou com ambos os pés no gramado.

O clube do interior continuou tentando, mas por inércia. Internamente, era óbvio que os atletas queriam encontrar as forças que haviam sido anuladas pelo desempenho de quem se impôs porque apresentou mais futebol.

O resumo mais que redundante

A melhor atuação do Alvinegro na temporada e a pior do oponente no mata-mata; treinador Carille e o elenco botaram as mãos no troféu do torneio.

O 3×0 afirma; as análises de quem crê na conquista inédita terão que de inserir ''milagre'' favoravelmente à Ponte e ''desastre'' para o favorito em Itaquera,.

Desfalques

Carille terá, no mínimo, dois desfalques em Itaquera. Os pendurados Rodriguinho e Maycon receberam o amarelo.

Fagner, pela pancada em Cueva quando o peruano estava de costas, será avaliado pelo TJD na terça e pode formar o trio de ausentes com os colegas de agremiação.

Futebol 

Jadson, ao gesticular para a torcida da Ponte na comemoração do gol, poderia tomar o cartão. O critério adotado no torneio determina essa tolice de impedir a espontaneidade nas comemorações.

O trio  não observou e o meia poderá atuar em Itaquera.

Resultado merecido. Nenhuma interferência houve de quem foi encarregado de cumprir as regras no gramado.

Ficha do jogo

Ponte Preta – Aranha; Nino Paraíba, Fábio Ferreira, Yago (Kadu) e Reynaldo (Artur); Fernando Bob, Elton, Jadson (Renato Cajá) e Lucca; William Pottker e Clayson.
Treinador: Gilson Kleina

Corinthians – Cássio; Fagner, Balbuena, Pablo e Guilherme Arana; Gabriel (Paulo Roberto); Jadson (Clayton), Rodriguinho, Maycon (Camacho) e Romero; Jô
Treinador: Fábio Carille

Árbitro: Raphael Claus (SP) – Assistentes: Alex Ang Ribeiro e Luiz Alberto Andrini Nogueira

 


Do abismo à glória contra o Peñarol; Baptista merece críticas e elogios
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De Vitor Birner

Peñarol 2×3 Palmeiras

É possível afirmar que houve dois jogos e as escolhas de Eduardo Batista influenciaram muito no andamento. O Alviverde mereceu o resultado positivo. .

Necessita adquirir regularidade e manter o padrão mais elevado no mata-mata da Libertadores.

Tinha que manter

O Peñarol era lanterna do grupo. receberia o apoio da torcida e conseguira dois gols em cruzamentos, lance mais forte do gigante uruguaio,  no Allianz Parque.

Tinha que tomar a iniciativa e investir na maior virtude para ganhar.

Havia os antídotos no elenco do Alviverde.  O treinador podia preparar o time para manter a bola e tornar o andamento desconfortável ao oponente necessitado de impor o ritmo.

Tal proposta privilegiaria a técnica e permitiria a manutenção do 4-1-4-1 com o qual os atletas estão mais habituados na temporada.

O Eduardo Baptista foi por outro rumo. Abriu mão de jogador no meio campo para ter o quinteto dentro do qual havia o trio de zaga; quis ganhar força por cima e ofereceu a bola para os gringos porque pretendia investir na transição em velocidade à frente.  O Palmeiras criava no 3-4-3 e 'flutuava' ao 5-4-1 para o sistema de marcação.

A concepção de jogo taticamente moderna foi na prática conservadora e equivocada. Se investisse na ação ao invés da reação, tem elenco muito mais forte que o do oponente, teria a bola e ditaria o ritmo.

Os Aurinegros sequer poderiam cogitar igual.  Os limites do pé de obra impossibilitam ao Leonardo Ramos agregar maior repertório. Eduardo Baptista preferiu o bloqueio no campo de trás, e mais; foi a pior execução que me lembro de tal desenho tático.

Muitas lacunas na implementação da proposta 

O Peñarol tinha que investir nos lances pelos lados, onde é mais fácil tentar os cruzamentos.

O técnico do Palmeiras reforçou o sistema de marcação por cima com mais um zagueiro. O beabá do 4-5-1 com essa prioridade afirma que é imprescindível bloquear, no campo de trás, os setores em que os oponentes tentam acessar para levantar a bola na área. Apenas um dos lados foi eficaz.

O quarteto no meio de campo iniciou com Roger Guedes em frente ao lateral Jean, Michael Bastos diante de Egídio, além de Felipe M e Guerra por dentro. O leitor nem necessita assistir ao jogo para saber qual lado era o mais fácil para o oponente investir e conseguir o gol.

O Peñarol nada conseguiu…

Todos os lances, incluindo ambos os gols, começaram no de Egídio porque o atleta é mais capaz no apoio que atrás, e de Michel Bastos, menos participativo que o colega de clube da ala oposta ao recompor o sistema de marcação.

Teve outros equívocos, além desse que foi o maior. Apenas colocar os 3 zagueiros é pouco para garantir o aumento de força coletiva nos cruzamentos  O trio tem que se entender nos gramados.

E, finalmente, as poucas atividades antes do jogo para implementar as alterações recomendavam Tchê Tchê iniciar na vaga de Guerra. Entendo que o venezuelano é mais competente nos lançamentos e poderia acionar Borja ou Roger Guedes nos lances de velocidade. mas a dinâmica do volante para ir e vir é maior e facilitaria para Felipe M que foi sobrecarregado pelo monte de lacunas no planejamento.

Segue mais um item na lista.

Talvez pelo hábito de atuarem com o quarteto na linha de trás, reforçado porque o 4-1-4-1 é a referência tática na temporada,  ou porque nem os rodados se habituaram noutros clubes ao 5-4-1 com as alternâncias,  os atletas não entenderam o que Eduardo Baptista pretendia. Quem puder acompanhar o jogo saberá com facilidade.

Em muitos momentos, Roger Guedes, Guerra e Michel Bastos formaram o trio diante do Felipe M.  Era necessário jogarem na mesma linha do volante.

Formavam o 5-1-3- e facilitaram para o oponente ter a bola no entorno da área, porque impossibilitaram a tal da compactação em frente dos zagueiros e laterais, ,

Se pretendia o ferrolho, Eduardo Baptista tinha que orientar Borja a recuar para formar o quarteto onde havia o trio.

A orientação para o centroavante foi para atuar na linha dos zagueiros que pretendia driblar para finalizar.

O resultado do que não fluiu

Acrescento o sistema de marcação muito recuado à lista de equívocos iniciais na estratégia do Alviverde. Borja, adiantado, nem conseguia tocar na bola.

O artilheiro recebeu alguns lançamentos pelo alto, e saídos do campo de trás. A dupla da zaga e o volante Novick encaixotaram o centroavante.

No gol que inaugurou o resultado, houve o equívoco de Mina.  Se atirou na área ao ser puxado pelo Affonso, ao invés de correr atrás de quem formou a dupla de frente na agremiação que necessitava ganhar.

Nada houve no lance.

O zagueiro foi puxado para trás  e caiu na frente, Foi mole no lance que exigia força.

O outro gol foi de Arias, Houve a dúvida dos zagueiros para saberem quem deveria, após o cruzamento, ria acompanhar o atleta da assistência com a nuca e o artilheiro.

Alterações mexeram no andamento do clássico

Egídio e Vitor Hugo, lateral e zagueiro do mesmo lado, saíram. Tchê Tchê e Willian foram ao gramado,

O treinador fez o necessário na escalação, alterou a proposta coletiva, e o Palmeiras se impôs com facilidade.

Formou o quarteto atrás no qual o Michel Bastos foi lateral; o volante Felipe M atuou em frente,e  os que entraram foram para a linha de quatro do meio de campo onde fizeram as 'flutuações' táticas ao 4-4-2 e 4-3-3 e se se aproximaram do centroavante.

Completou os acertos ao adiantar o sistema de marcação para iniciar as tentativas de retomar a bola na área do Peñarol

Dali em diante o abismo técnico dos elencos foi aberto diante da barulhenta torcida. O Alviverde manteve a frequência no campo de frente, teve a iniciativa, ditou o ritmo, e conseguiu a virada na qual Willian brilhou.

O atleta conseguiu o gol aos 3, após assistência de Jean. O lateral fez mais uma no de Mina, que garantiu o empate.

A superioridade do Palmeiras era muito grande. O Aurinegro investia em lances de velocidade, pois o oponente mantinha a maioria dos atletas além da linha que divide o gramado, como única opção para finalizar e talvez diminuir o ritmo do vareio.  A virada parecia inevitável antes de Willian a confirmar e mais uma vez comemorar.

Depois o Alviverde recuou.

O mítico time do Uruguai foi para o tudo ou nada. Investiu no que podia – finalizações de fora da área e cruzamentos e o sistema de marcação do Eduardo Batista, com a dupla em vez do trio de zaga, ganhou as disputas e garantiu o resultado positivo à agremiação que encabeça o grupo das favoritas na Libertadores.

Elogio e peço licença 

Há esquemas táticos que aprecio menos ou mais. O inicial do Palmeiras é dos prediletos.

Sou técnico de um clube de várzea. O 4-1-4-1 foi a opção que avaliei ser necessária meia década atrás, como alternativa para a então moda de formação com dupla de volantes e trio no meio de campo.

O 3-4-3 a gente implementou faz alguns anos. Mudamos de sede, o campo maior dificultava a manutenção do que gerava resultados positivos, e agreguei no início do retrasado o 5-4-1 para aumentar a força ao sistema de marcação.

A variação acontece com laterais se adiantando à linha do meio de campo e a dos alas para a do centroavante.

Os jogadores são inteligentes, esforçados, sabem as próprias incumbências e as dos colegas de time, pois eventualmente  devem cobrir lacunas no sistema de marcação.

Há adaptações aos montes dentro da proposta, mas não as mencionarei no texto porque o aumentará muito e o leitor, em regra, acham que apenas os clubes e eventos na grande mídia resumem o futebol.

Citei isso para mostrar que critiquei o esquema de jogo que achoo elogiável, se executado direito e no jogo e time que a tornam ideal.

Nenhuma fórmula precisa há no esporte.

A proposta coletiva mais construtiva depende das lacunas e potencialidades do elenco.

Treinador merece paciência do torcedor

Eduardo Baptista se equivocou e após as alterações o Palmeiras foi forte coletivamente.  Na primeira parte houve tropeço de concepção e na seguinte desempenho competitivo gerado pelo que tem feito no CT da agremiação.

O torcedor pode escolher como interpretar a virada emocionante. Pode se concentrar no que o técnico tentou e soube que tinha de alterar, ou no que o Alviverde produziu após as mexidas, ou em ambos e aguardar para formar a opinião sobre o escolhido por Alexandre Mattos para o futebol.

Ficha do jogo

Peñarol (4-4-2) – Guruceaga; Petryk (Rossi), Quintana, Villalba e Hernández; Alex Silva (Ángel Rodríguez), Nandez, Novick (Dibble), Cristian Rodríguez; Junior Arias e Affonso
Técnico: Leonardo Ramos

Palmeiras (5-4-1) – Fernando Prass; Jean, Mina, Edu Dracena, Vitor Hugo e Egídio; Róger Guedes (Keno) Felipe M., Guerra e Michel Bastos; Borja
Técnico: Eduardo Baptista

Árbitro: Roddy Zambrano Olmedo (EQU) – Assistentes: Luis Vera e Juan Macías


Oscilações são comuns para Borja; expectativa enorme gera vaia precipitada
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De Vitor Birner

Trajetória com oscilações

Borja saiu vaiado do campo na eliminação do Alviverde. De cabeça quente desabafou, ''porque sempre eu'',  e foi ao banco observar o restante do jogo.

No país que cultiva o imediatismo, o egoismo e o julgamento com todas as forças, tem sido criticado pelo desempenho nos gramados. Querem o atleta decisivo, que brilhou na Libertadores.

A regularidade exigida é a que as agremiações nas quais atuou queriam. O monte de transferências do atleta mostra a instabilidade nos gramados.

Teve dificuldade dentro do próprio país que nasceu.

Deportivo Cali,  Cúcuta, Cortuluá, CD La Equidad, Livorno, Olimpo, Independiente Santa Fe e o minúsculo Cortuluá investiram no centroavante, antes de se consagrar pelo Atlético Nacional na Libertadores.

Repare a montanha russa; as transferências, por si, mostram a instabilidade em campo.

Iniciou no grande, foi emprestado para três pequenos, negociado com o de porte similar na Itália, que o cedeu temporariamente ao 'hermano' de patamar igual e que nada grande ambiciona, e em seguida ao maior da Colômbia.

Depois retornou ao da segundona capaz de em 2015 subir para a elite.  Todas as transferências aconteceram nessa década.

Na agremiação que conseguiu o acesso, Borja brilhou.  Fez 19 gols, foi artilheiro, e o Atlético Nacional o contratou para ser destaque na conquista do torneio continental.

As estatísticas falam com sabedoria.  De 2011 a 2015 comemorou 27 gols.

E na temporada de 2016 conseguiu 39.  O último aproveitamento foi acima do padrão para o centroavante.

O Palmeiras, quando o contratou, provavelmente sabia das oscilações.

Apoiar enquanto aguarda o melhor rendimento

Houve atletas que brilharam em uma ou duas temporadas.  Lembro alguns apenas da lista nacional.

Dill, Ademar, Dimba, Josiel e Keirrison foram artilheiros numa edição do maior torneio de nosso país.

Alberto jogou acima da média na conquista das pedalas de Robinho em frente ao Rogério.  O então jogador do Santos conseguiu, naquela edição, o gol de bicicleta no show da agremiação diante do Corinthians no Pacaembu.

Nenhum centroavante dos citados manteve o nível.

É impossível, agora, afirmar se Borja é desse grupo dos sazonais. ou é o artilheiro da Libertadores

Teria que assistir às temporadas anteriores para opinar. Muito forte fisicamente, se mexe ao invés de permanecer dentro da área.

As oscilações podem ser técnicas, ou por problemas físicos, ou por algo pessoal, ou geradas pela falta de empenho. Esse último não tem a ver com o desempenho do centroavante no Alviverde.

Completou 24 anos em janeiro.

Podem ser de adaptação à proposta de jogo ou a nossa cultura e futebol.

Acho que a torcida, enquanto avaliar que o atleta se esforça no gramado, deve ter paciência. Sei que a expectativa e enorme.

Lembro algo simples; o Palmeiras necessita do centroavante que contribua para as conquistas.

Borja pode ser menos eficaz que o imaginado e mesmo assim agregar virtudes ao futebol da agremiação

 


São Paulo tem que avaliar eliminação como bênção; pode salvar a temporada
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De Vitor Birner

Acima das estatísticas

As reclamações de Ceni porque o Corinthians fez gols, ambos de Jô, impedidos nas semifinais, tem embasamento nas regras do futebol.

Talvez, se fossem cumpridas, o classificado seria o clube do Morumbi.

O andamento de ambos os jogos afirmou que tal raciocínio é impossível de ser confirmado. O Alvinegro teve méritos e, em alguns lances que todos os times do planeta pretendentes às conquistas necessitam avaliar como imprescindíveis, foi mais forte.

Me refiro aos cruzamentos e à competência do sistema de marcação.

São Paulo investiu nos lançamentos por cima. tentou muitos, e raros geraram dificuldades para Cassio.  Os poucos que o oponente fez redundaram em oportunidades melhores, uma do Pablo e a de gol do centroavante.

Simples para quem acompanha o futebol

Se o Alvinegro fosse incompetente tal qual o oponente é por cima, e o eliminado mostrasse solidez como a do classificado nesses lances em ambos os clássicos, São Paulo ganharia com facilidade. Esse é o exemplo preciso para quem repete o clichê de afirmar que a conjunção subordinada casual não entra em campo.

Todos ao invés de a dupla

O acerto tem que ser coletivo. Nem adianta olhar para os zagueiros, de ambos os clubes, e despejar críticas ou elogios.

Isso é resolvido nos Centros de Treinamentos e deveria ser a prioridade para quem almejava conquistar o Estadual e a Copa do Brasil.

A eliminação abençoada para o clube

O treinador colocou o time misto na Sul-Americana. Avaliou que as conquistas do Estadual, irrelevante para o clube, e a nacional inédita para a instituição eram as mais relevantes no planejamento da temporada.

A sorte da agremiação é que o secundário oferece maior projeção e os tropeços irão forçar o técnico a investir no torneio continental e no de pontos corridos.

Os dois, desde o início, tinham que ser as prioridades. Oferecem maior projeção e as dificuldades são pouco menores para o clube festejar a classificação à Libertadores.

O técnico tinha que gerenciar jogos em seguida e agora poderá acertar o que é necessário porque haverá aumento das atividades do CT da Barra Funda

Tem que fortalecer o sistema de marcação nos cruzamentos, é urgente,  além de aumentar o repertório de lances de bola parada, o de criação e, principalmente, elevar o padrão da preparação física, pois a condução do elenco prometia atletas estourados ou cansados no início dos pontos corridos.

A referência Tite

O Corinthians ganhou a Libertadores na temporada em que foi eliminado no Estadual, dentro do Pacaembu, pela Ponte Preta. Julio César era o goleiro e Cassio foi colocado pelo técnico após o tropeço.

Antes, na conquista dos pontos corridos, houve a desclassificação diante do Tolima.

O treinador, no CT, com mais dias para ajustar a proposta coletiva, aperfeiçoou o que avaliou como prioridade e o time iniciou com uma sequência de resultados positivos.

Esses pontos a mais que os de oponentes garantiram a manutenção da liderança quando houve a queda de rendimento e o prazo para o elenco retomar o melhor futebol.

Ceni poderá fazer igual.

O treinador confirmará se, iniciando na carreira, terá capacidade de aproveitar o tempo oferecido pelos equívocos de prioridade – diretoria receia contrariar o ídolo da torcida – na preparação e gerenciamento do elenco.

Antecipando carrinhos maldosos de haters

A eliminação na Copa do Brasil foi negativa. Seria importante, para a agremiação do Morumbi, ganhar o torneio.

A conquista do Estadual é irrelevante para qualquer gigante do futebol.

Os torcedores que reclamam do jejum foram induzidos ao blablablá pelo incômodo do tropeço, ou sequer têm a plena noção de quão grande é o clube.

São 12 anos e se fossem 120 tudo continuaria igual.

O técnico Rogério Ceni tem as virtudes para extrapolar as fronteiras do país e atuar e orientar clubes da Europa. Mas há o aprendizado para atingir todo o potencial. Tite, por exemplo, era do grupo de medianos quando aceitou o convite para ser treinador no Parque São Jorge.

O próprio afirmou, em montes de entrevistas, que alterou conceitos e metodologias para se aprimorar e conquistar os maiores torneios. .

É impossível afirmar, agora, se o treinador do São Paulo conseguirá, nessa temporada, ser competente tal qual necessita a agremiação.

O resumo

Maior que a saída na semifinal foi o tropeço diante do Alvinegro, Hoje, para os gigantes, resultados nos clássicos têm impacto superior ao da conquista no Estadual.

Nesses 5 jogos do torneio, o São Paulo ganhou do Santos.  Perdeu para Palmeiras e Corinthians, e empatou duas vezes frente o clube de Parque São Jorge. Os resultados são abaixo do potencial do elenco.

Tomou 8 gols e festejou cinco.  Dispenso os números diante dos clubes pequenos para fazer avaliações da campanha. Enaltecê-los em tais jogos seria espancar estatísticas. São Paulo tem obrigação de se impor frente aos que sequer cogitam a classificação para a elite do futebol.

A goleada contra a Ponte Preta poderia ser elogiada noutro momento.

Naquela rodada tinha o treinador Felipe Moreira (Gilson Kleina posteriormente foi contratado) no Morumbi com mais de 50 mil, estreia de Ceni no estádio, e formação distinta da que eliminou Santos e Palmeiras.

Cada qual no próprio galho

A Ponte Preta pertence à elite do esporte. Os méritos são enormes por se manter ao lado de gigantes, apesar do orçamento incomparável aos de concorrentes tais quais o do tricampeão da Libertadores. Merece grandes aplausos por eliminar os clubes mais bem colocados na última edição dos pontos corridos.

Como necessita muito de troféus, garantirá a alegria da temporada, se comemorar o êxito em Itaquera.


Estatuto do S. Paulo pode vetar preferido de Leco para diretoria de futebol
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De Vitor Birner

O novo estatuto do São Paulo impõe limites ao poder do presidente em muitos setores.  O impede. por exemplo, de referendar quem ocupará as diretorias.

O mandatário pode indicar, mas é o Conselho de Administração quem aprova o escolhido. Ou seja, antes da formação do órgão, ninguém será contratado.

Nos bastidores, Vinícius Pinotti, após elogiável gestão no marketing, é o preferido de Leco para a de futebol

Essa decisão pode ser alterada para o estatuto.

Há dois artigos que sugerem: o 124 afirma que ''os membros da diretoria executiva serão contratados do SPFC dentre profissionais que tenham notório conhecimento em suas respectivas áreas de atuação; o 106 r incumbe o Conselho de Administração da ''aprovação e indicação, pelo Presidente Eleito, dos membros da diretoria executiva e suas respectivas atribuições e remunerações, fixas e/ou variáveis.

Traduzindo para simplificar

A tendência é o Conselho de Administração reprovar a indicação, porque o estatuto determina a contratação de alguém com ''notório conhecimento em suas respectivas áreas de atuação''.

Meu palpite é que Leco,  ao notar isso, mesmo incomodado alterará a opção. O cartola apoiou o estatuto e sequer se intrometeu no que foi elaborado por especialistas, apesar de saber que a profissionalização diminuirá os poderes da cartolagem do clube-

Além disso, há uma sequência a ser cumprida. Antes de contratar os diretores, é necessário escolher os conselheiros independentes para as duas vagas restantes no órgão que será o cérebro da gestão.

O Conselho de Administração foi criado para fazer a orientação geral de plena gestão.

Fiscaliza a diretoria, formula ou concorda com políticas econômicas e estratégias de investimentos, aprova muitos tipos de contratos,, o orçamento, os nomes e salários da diretoria,  alguns de atletas, a criação e o pagamento de dívidas e de comissões para terceiros, determina qual empresa de auditoria independente fará parecer das finanças, em suma tudo que constrói o futuro da agremiação.

Os méritos e o estatuto aprovado  

Vinícius Pinotti talvez seja o mais promissor dirigentes do Morumbi. No mínimo compõe o pequeno grupo que tem tais candidatos.

Manteve a honestidade na gestão Aidar e com mais autonomia para dirigir o marketing, após Leco ser eleito, conseguiu atrair patrocinadores no momento difícil para a economia do país. Pegou a bomba de gerir o departamento arrasado que afastava as empresas.

Adquiriu experiência,  agregou ao conhecimento de mercado o de bastidores da instituição milionária amadora, entende como é a dinâmica da política, e tal sabedoria o credencia a pensar em ser  presidente.

Merece ser considerado pelos cartolas.

Tenho ótima impressão do empresário e dirigente, e sou incapaz de afirmar se adquiriu, ou não, competência para gerenciar a modalidade que faz a instituição gigante.  O enfoque do texto é o estatuto da agremiação.

Para o Chico e o Francisco

Raí foi o jogador que mais contribuiu para agigantar o São Paulo dentro de campo. Mesmo sendo Rei do Morumbi, necessitará do aval antes de ser oficializado no Conselho de Administração, Os outros dois que o presidente indicará terão que se submeter a igual aprovação.

Os três são os chamados independentes e serão nos únicos remunerados, dentro do órgão,  pela contribuição para oo clube.

A formação do grupo de gestores 

Conselho de Administração terá 9 integrantes. Leco e Roberto Natel, presidente e vice, são garantidos.

O Deliberativo tem 3 vagas. Os mais votados foram Julio Casares, Silvio Médici e Adilson Alves Martins da situação. O Consultivo com uma tende a indicar Pimenta, tal qual o candidato da oposição afirmou após a eleição.

Dois terços do órgão é composto por cartolas. Os independentes, Raí e mais dois, têm que ser aprovados pelos originários da política interna da agremiação.

 

 

 


Elenco do Corinthians é a quarta força; Fábio Carille faz o possível
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De Vitor Birner

O Corinthians desperdiçou grandes oportunidades, as de Jô e Clayton foram as maiores, o Internacional teve mais momentos para comemorar além do único em que conseguiu o gol, e se observarmos os desempenhos de ambos podem concluir que o empate resumiu o que os clubes mostraram no gramado de Itaquera.

O mesmo raciocínio vale para o jogo anterior, encerrado com igual resultado. Os pênaltis resolveram a classificação.

Tal qual reza a tradição nacional, após a eliminação foi iniciada a caça por personagens para serem criticados. No Brasil que reverencia Rodrigo Caio pelo 'fair-play, tropeços no esporte legitimam a transformação de seres humanos em para-raios das insatisfações alheias, inclusive das que nada têm a ver com o futebol.

A competência disponível

Maycon, Guilherme Arana e Marquinhos Gabriel se equivocaram nos pênaltis.

O volante e o lateral, talvez o melhor do time nesses meses da temporada, se dedicam muito nos jogos. Marquinhos Gabriel tem que agregar intensidade e ambição para elevar o rendimento,  mas atuou apenas 10 minutos.

Nenhum desses fez como Alexandre Pato diante do Grêmio. Não houve displicência nos lances que redundaram na eliminação do torneio.

Clayton e Jô tentaram o que era necessário quando desperdiçaram gols com o jogo em andamento.

Quem cogita que a alteração de atletas geraria o resultado positivo, explique, por favor, quais deveriam entrar e sair, como garantiriam tanto o padrão técnico mais alto quanto a manutenção ou o aumento da força coletiva.

O Alvinegro, quando se avalia apenas o elenco, é quarta potência no estado. O treinador investe na estruturação tática para obter colocações melhores que as de agremiações atualmente com maior potencial.

É imprescindível para jogar a temporada

Todos sabem que o Alvinegro é mais forte quando o oponente tem a iniciativa de ir à frente.  São Paulo, Palmeiras e Santos fizeram e tropeçaram nos clássicos em Itaquera e no Morumbi.

O Corinthians, diante de clubes com menos potencial no elenco, teve mais dificuldades para ganhar.  Nem acho que o sistema de marcação do Carille é tão sólido quanto os analistas apenas de números afirmam.

É competitivo, oscila, tem margem para ser fortalecido, e inquestionavelmente terá que alicerçar a campanha do time no torneio de pontos corridos.

Se o Alvinegro for para cima da maioria dos times a tendência é ir para baixo na classificação.

Corinthians é muio mais forte na parte coletiva que na individual. Ou seja: o treinador, dentro das possibilidades oferecidas pelos cartolas, cumpre o necessário e merece elogios pelas orientações ao elenco.

A nação alvinegra e o futebol   

Pleno empenho, força coletiva e a noção do privilégio de trajar a camisa do clube gigante.

Do treinador e elenco, é isso que a torcida pode exigir.  A eliminação na Copa do Brasil será construtiva, se todos no Parque São Jorge entenderem quais são as possibilidades do grupo de atletas.  Me refiro aos cartolas e os frequentadores da arquibancada em Itaquera.  .

A margem de melhora do time é menor que a de alguns concorrentes.  Os outros gigantes em São Paulo, a dupla mineira,  o Flamengo e mais clubes montaram elencos que permitem percorrer horizonte com maiores possibilidades nos gramados.

As dificuldades e as virtudes individuais e coletivas são medidas principalmente no torneio de pontos corridos.

A agremiação com o elenco fraco e time forte, pode ganhar o mata-mata. Mas, na competição grande e que exige planejamento da temporada, grupo de atletas competentes e regularidade em campo, será impossível comemorar a conquista.

 

Onde há margem para a melhora

Na questão técnica, atletas como Marquinhos Gabriel e Giovanni Augusto podem se empenhar, elevar o próprio padrão, e consequentemente o do time nos gramados.

Há margem para os jogadores que subiram das categorias de base, e os que foram promovidos em temporadas recentes e pouco atuaram em clubes da elite, melhorarem na parte individual, se tiverem potencial e esforço.

A solução veloz e eficaz é contratar. A direção, tal qual mostra, tem caixa vazio para reforçar o elenco.

Essas são as possibilidades de qualquer clube que necessita competência individual para almejar conquistas.

Carille pode aumentar o repertório de lances preparados no CT, o entrosamento talvez aumente a competitividade do sistema de marcação, além de proporcionar o as alternâncias de atuar com linhas adiantadas ou recuadas, mas nenhuma construção coletiva agregará o necessário para o Alvinegro comemorar no torneio de pontos corridos.

O elenco, tal qual torcedores sabem desde o início da temporada, é o dilema da agremiação. As emoções após os êxitos e tropeços  devem ser colocados de lado pelos que pretendem reclamar dos resultados e exigir grandes conquistas.


Pedido de adiamento das eleições no São Paulo foi indeferido
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De Vitor Birner

A juíza Rosana Moreno Santiso indeferiu o pedido de liminar para cassar os mandatos de 59 conselheiros vitalícios indicados após a antepenúltima reforma do estatuto, ou adiar as eleições de terça-feira.

O requerimento feito por Francisco Vasconcellos Pereira de Assis foi embasado na tese que as alterações foram feitas sem aprovação dos associados e por isso as decisões de diretoria no período são inválidas.

Em duas instâncias o cartola ganhou a ação porque o Novo Código Civil do país tinha entrado em vigor, exigia o aval dos sócios para acontecerem mexidas nas leis do clube e apenas o conselho foi consultado. .

No STF a ministra Rosa Weber tocou a bola adiante por avaliar que todos os trâmites para a aprovação do último estatuto recém tinham sido cumpridas.

A sentença que avaliza o pleito tem a seguinte afirmação:''Dessa forma, não há como se afastar as reformas realizas no Estatuto Social em 06-12-2016,  e se entender pela nulidade de tais reformas como se se tratassem de mera continuidade do Estatuto Social considerado nulo pela sentença proferida, pois, se assim fosse, prevalecendo o pretendido pelos exequentes, jamais poderia ocorrer qualquer alteração''.

Detalhes da eleição

Francisco Vasconcellos Pereira de Assis é conselheiro vitalício e opositor à candidatura de Leco. Apenas os integrantes do órgão podem votar.

O atual mandatário tem o 'moderado' favoritismo, mas foi grande a movimentação de bastidores na reta final e, na estrutura amadora política, onde as negociações são mais pessoais e menos técnicas que no ambiente profissional, podem haver alterações de lado.

O eleito terá 3 anos e 8 meses no cargo. O novo estatuto prevê que os pleitos serão em dezembro e por isso o maior mandato.

Os seguintes serão trienais.

O pleito ocorre às 19h30. Será o último com permissão para a reeleição de presidente. Tal possibilidade foi encerrada com a implementação do novo estatuto. A maioria simples determinará o ganhador, que terá de profissionalizar a agremiação..

Assim que for empossado, terá de gerir os departamentos sob tais normas, o que inclui a contratação de dirigentes remunerados em vez de indicar conselheiro para a gestão do futebol.

É impossível garantir, agora, que essa foi a única manobra jurídica contra o pleito. Alguém pode tentar outra, pois em cima da hora será mais complicado cassar a liminar.

O conselheiros deliberativo do Morumbi tem 240 integrantes e nem todos comparecem na eleição.

 


Corinthians foi superior no coletivo; Fábio Carille ganhou de Ceni
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De Vitor Birner

São Paulo 0x2 Corinthians

O elenco do Ct da Barra Funda tem mais jogadores que decidem. A quantidade de contratados porque houve solicitações dos treinadores é maior no time que tropeçou no clássico.

Rogério Ceni investe em propostas coletivas distintas. Todas exigem que a iniciativa seja do time que orienta. Fabio Carille, com elenco limitado, sequer pode cogitar muitas variações porque necessita ser pragmático para manter a estabilidade alicerçada pelo sistema de marcação e os resultados positivos.

A simplicidade do Alvinegro prevaleceu contra as ambições modernas, que demoram para serem implementadas, do ídolo.  Sabia o que a agremiação do Morumbi faria e os antídotos que tinha para ganhar o clássico.

É impossível afirmar que havia reciprocidade e o São Paulo mostrou planejamento específico capaz de parar as limitadas e previsíveis opções de criação do time de Parque São Jorge.

No jogo de propostas completamente antagônicas, no choque de estilos de novatos, no duelo estratégico de Carille x Ceni, o técnico do Alvinegro prevaleceu, apesar do talento dos grupos de atletas oferecer maior possibilidade à agremiação que necessita no mínimo 2 gols em Itaquera.

A semifinal, após o clássico, tem o favorito â classificação.

As propostas táticas

Fábio Carille repetiu a proposta de futebol que investe em sistema de marcação sólido e calculismo para achar as brechar e criar os momentos de gol.  Rogério Ceni preferiu tornar o São Paulo mais capaz de finalizar.

No 4-2-3-1 do treinador que é ídolo da torcida, Wellington Nem na direita, Cueva por dentro e Luis Araújo formaram o trio em frente de Jucilei e Thiago Mendes  os volantes.   Araruna foi a opção na lateral.

No mais, nenhuma novidade. Maicon e Rodrigo Caio na zaga, o lateral Junior Tavares e o centroavante Lucas Pratto iniciaram no clássico.

Carille foi pragmático.

Jadson na direita, Maycon e Rodriguinho por dentro, e Romero no quarteto do meio de campo. O volante Gabriel completou o setor e atuou em frente à linha que teve Fagner e Arana pelos lados, além dos zagueiros Pablo e Balbuena. Jô foi o centroavante.

A mexida facilitou para o Carille

O São Paulo com iniciativa e mais frequência no campo de frente, e o Alvinegro conservador investindo na velocidade ao retomar a bola.

O andamento previsível impossibilitava, para quem assistia ao clássico, prognosticar com propriedade o resultado.

O Corinthians havia entrado uma vez na área – Rodrigo Caio impediu a finalização do oponente -, exigido a única intervenção dos goleiros, antes de o técnico da agremiação do Morumbi de novo se equivocar nas alterações.

Wellington Nem se machucou e teve que sair do gramado.

O treinador optou, aos 18,minutos, pelo Cícero, que o Fluminense quis tirar do elenco, e deslocou Thiago Mendes para a direita do trio no meio de campo.

Imediatamente houve declínio do sistema de marcação porque o contratado nas Laranjeiras, uma solicitação do novato à diretoria, foi incapaz de manter a intensidade e a concentração similares as do colega que formava com Jucilei a dupla de volantes.

A agremiação de Parque São Jorge, pelo meio, tinha Jadson se deslocando, Rodriguinho indo à frente, e Maycon avançando, se houvesse brecha.

No 1° lance que ganhou a bola no setor, Rodriguinho teve a lacuna para colocar Jô diante do Renan.

O centroavante, centímetros impedido, finalizou com precisão e festejou diante de quase 46 mil torcedores. Esse é dos lances mais fortes do time. Ceni facilitou.

Podia optar por Thomas, ou Wesley na direita, ou Neílton, ou Edimar na lateral e adiantar Junior Tavares trocando o lado de Luis Araújo.

Se escolheu Cícero, tinha que alterar o esquema tático, formar o losango no meio com os três volantes e Cueva na meia e a dupla Luis Araújo e Lucas Pratto na frente

Nem aprecio essa configuração.  dessa tática, mas era a lógica. Todos os citados nos dois parágrafos anteriores, com exceção ao que Aidar trouxe do Palmeiras, foram indicados pelo técnico para o elenco.

Alvinegro se impõe e amplia resultado

O gol reforçou as propostas que os treinadores queriam. São Paulo manteve a iniciativa, o Corinthians priorizou o bloqueio e a inteligência para investir na velocidade, porque o oponente tinha brechas e as vezes lenta recomposição do sistema de marcação.

Nos acréscimos, Rodriguinho, que havia feito a assistência, ganhou de Jucilei, a cobertura da zaga foi ineficaz, Cícero observava a alguns metros em vez de congestionar, e o volante fora da área finalizou forte no canto direito.

O bonito gol do artilheiro referendou a superioridade coletiva do time de Parque São Jorge.  O treinador da agremiação do Morumbi tinha que fazer algo para aumentar o repertório. No clássico, o impacto de diminuir o resultado poderia alterar a dinâmica dentro do gramado.

A reorganização lógica para as características

Luis Araújo saiu e Gilberto entrou após o descanso e a conversa dos técnicos com os elencos. O Corinthians manteve a escalação e a proposta de futebol. Aos 4, Jadson sentiu o joelho e Clayton entrou para otimizar a velocidade na transição e reforçar a marcação pelos lados.

O São Paulo, no 4-3-1-2,  teve Cícero, Jucilei e Thiago Mendes como volantes,  Cueva na meia, e Gilberto e Pratto na frente;

Conseguiu tomar as rédeas do clássico. Finalizou mais, apenas aos 27 minutos o Alvinegro tentou ampliar, mas o inspirado Cássio e a necessidade do clube do Morumbi fazer o gol foram minando gradativamente os atletas que incomodados pelo resultado.

Tiveram que correr muito diante dos oponentes menos cansados e mais estáveis em campo.

Carille pôs Camacho, aos 32, na vaga de Rodriguinho. Quis agregar fôlego e força ao sistema de marcação porque o protagonista cansou diminuiu o ritmo, além de investir nos lançamentos para quem atuou adiantado.

Thomas, no mesmo minuto, ganhou a oportunidade na de Araruna. Thiago Mendes foi à lateral direita.

Quase no encerramento, Romero, que acompanhou o apoio de Junior Tavares, ganhou o duelo do lateral e merece elogios pela contribuição ao coletivo.  foi substituído por Léo Jabá.

Naquele momento, o clássico tinha uma agremiação sabedora que comemoraria.

A que atuará em Itaquera como favorita à classificação.

A minha referência

São Paulo reclamou do gol de Jô. Queria a falta no início do lance, nada houve, e o impedimento que aconteceu do centroavante.

Supostamente teve outro, encerrado pelo auxiliar, quando Pratto sairia em frente ao Cassio e o resultado era de empate. Quero rever para opinar. Foi questão de centímetros e era difícil para quem impôs as regras no gramado.

Tais acertos e equívocos são irrelevantes diante dos desempenhos no clássico. O Estadual é preparação dos gigantes para a temporada.

Priorizo construções coletivas ao opinar no torneio.

Em suma, acho o desempenho, avaliando as possibilidades dos elencos, a dinâmica coletiva, mais relevantes que os resultados positivos.

Debater apito, nesse momento, é tornar secundário a pavimentação que pode gerar conquistas que satisfazem as torcidas.

Ficha do jogo

São Paulo – Renan Ribeiro; Araruna (Thomaz), Maicon, Rodrigo Caio e Júnior Tavares; Jucilei e Thiago Mendes; Wellington Nem (Cícero), Cueva e Luiz Araújo (Gilberto); Lucas Pratto
Técnico: Rogério Ceni

Corinthians – Cássio; Fagner, Balbuena, Pablo e Guilherme Arana; Gabriel, Jadson (Clayton), Rodriguinho (Camacho), Maycon e e Romero (Léo Jabá); Jô
Técnico: Fábio Carille

Árbitro: Luiz Flavio de Oliveira – Auxiliares: Danilo Simon Manis e Miguel Ribeiro da Costa

 


Conselheiro da oposição quer cassar vitalícios ou adiar eleição no S. Paulo
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birner

De Vitor Birner

Francisco de Assis Vasconcellos Pereira, conselheiro que votará em José Eduardo Mesquita Pimenta, entrou com ação contra o clube para obter a liminar que cassa a escolha de 59 conselheiros vitalícios eleitos desde 2004 e os impede de votarem na eleição a presidente que acontecerá terça-feira.

A manobra jurídica prevê que, se não for atendido, o pleito pode ser adiado. No 'juridiquês', é o chamado pedido subsidiário.

O cartola é o mesmo que, na Justiça,  acertadamente questionou as alterações estatutárias que garantiram o último mandato de Juvenal Juvêncio , e que prejudica a instituição por entrar com outra ação após os sócios referendarem o estatuto que profissionaliza o futebol da entidade e foi implementado seguindo todas as determinações do do então Novo Código Cível.

Eleição no Morumbi 

A iniciativa pode ser avaliada como manobra para a oposição ganhar o pleito ou, na pior das hipóteses do ponto de vista das próprias pretensões, tempo, pois avalia que está em desvantagem na corrida eleitoral.

Além disso, referenda a contrariedade de antigos cartolas com a extinção de cargos políticos\estatutários (os vice-presidentes dos departamentos), que serão substituídos por profissionais remunerados.

No dia da aprovação do estatuto que entrará em vigor para o futebol quando o novo presidente for escolhido, o conselheiro Alberto Bugarib, amigo e grande aliado político de Pimenta, afirmou que o primeiro ato do grupo ao chegar no poder será invalidar a alteração.aprovada pelos sócios.

Terá que convencer os sócios a barrarem a profissionalização que recentemente referendaram.

Antes, será necessário eleger o ex-presidente e candidato da oposição, além de contrariar Abílio Diniz e Alex Bourgeois, que apoiam e contribuem para a campanha que pretende ganhar do candidato da situação.

O empresário apoia a modernização da gestão, tal qual faz o Leco, apesar de estarem em distintos lados.

Se mantida a convicção de alguns antigos integrantes do órgão e Pimenta for bem-sucedido no pleito, Abílio talvez se frustre. É favorável à modernização da gestão,  a trata como uma de suas bandeiras para a agremiação, e o candidato que pretende ver à frente do São Paulo será cobrado por pares nos quais confia a convencer os  associados a derrubarem o que aprovaram nas urnas do Morumbi.

O São Paulo não havia sido notificado até o horário até o fim da tarde da quarta-feira.