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Conquista do Corinthians é a mais impressionante das 7 do clube no torneio

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De Vitor Birner

A virtude

Nenhuma conquista é igual. Todas têm personalidade própria, características e marcas que formam a memória de torcedores.

Essa do Corinthians, épica se analisada sob perspectiva técnica, é a mais impressionante dos 107 anos do clube em torneios nacionais.

A principal

Em 90, Neto, Nelsinho, Tupanzinho e cia conseguiram uma campanha de superação.

O time se fortaleceu no mata-mata e ganhou de uma equipe mais técnica na final.

Tal qual os torcedores conhecem, esse tipo de resultado é normal nesse formato de torneio.Ninguém tem motivo para afirmar que o resultado foi uma surpresa ou zebra no clássico.

Esse considero o mais importante do hepta.

A estética

Em 98 e 99 o Corinthians montou os melhores elencos de sua história. Sem exagero eram timaços. Apesar do Palmeiras muito forte e dos mineiros competitivos, prevaleceu o melhor futebol.

Para quem curte o esporte, foram os times mais admiráveis, bonitos, técnicos de todos as conquistas de campeonatos  brasileiros da agremiação.

A polêmica

Em 2005 a MSI montou elenco forte. Jogos foram anulados (não quero entrar no mérito do tema, nem se discordo ou concordo) e teve o diante do Internacional no Pacaembu com o equívoco de arbitragem.

Ressalto que o time era muito bom, mas a conquista foi a mais polêmica de todas que conseguiu no Brasileirão.

Elogiável construção

A primeira da era Tite formou a base campeã invicta do Mundial e da Libertadores. Foi o início da era sistema de marcação muito forte e coletivo como pilares do time de futebol.

Em 2015 o Corinthians tinha, com sobra, as melhores proposta e elenco.

São parecidas, mas a 2° foi a mais previsível do hepta.

Contra tudo

O Corinthians de Fábio Carille é fruto do discípulo que merece reverência tão grande dos torcedores quanto as dispensadas ao mestre do atual campeão do país. Nem Tite enfrentou tanta dificuldade para montar o time ganhador.

A começar pela própria diretoria. Queria Reinaldo Rueda ou Abel Braga.  Ano passado, quando o técnico foi para a seleção, investiu em Oswaldo de Oliveira e Cristovão Borges em vez de manter o então auxiliar.

O elenco do início do ano foi o que sobrou. O caixa vazio dificultou contratações.

Marquinhos Gabriel, Guilherme e Giovanni Augusto, os mais habilidosos, treinavam com intensidade aquém da necessária e Carille planejara, acertadamente, construir ambiente de competitividade e comprometimento.

Nunca me disse, mas conhece futebol e por isso avaliou que no mínimo o endinheirado Palmeiras montaria elenco mais forte e apenas se o Corinthians fosse extremamente concentrado e coeso poderia almejar uma boa temporada.

Quase encerrou contra o Brusque. Mas, pragmático, analisou, se dedicou intensamente para ajustar o necessário e manter o plano de jogo para a temporada.

O primeiro turno foi acima do que o técnico imaginara possível. O próprio Carille, sempre muito honesto, afirmou.

A pontuação era a necessária para gerenciar queda previsível de rendimento. O vento que empurrou soprou contra no 2° turno.

A finalização do oponente desviava e entrava no gol. As do Corinthians eram na trave e as que antes geravam comemorações encerravam na linha de fundo. O então 3° goleiro do Atlético PR teve a atuação da vida em Itaquera. Antes do dérbi, Aranha brilhou.

O time foi perdendo confiança, os laterais pioraram como a precisão de Rodriguinho o desempenho de Romero igual. Jadson quase nada produzia e teve gente criticando o treinador porque o time era repetitivo e necessitava alternativas de proposta de futebol.

O técnico não pode afirmar, mas o problema era muito mais óbvio que essa tentativa de mostrar que a roda é quadrada.

O elenco tinha pouca oferta. O número de atletas que pode utilizar é insuficiente, no planejamento consistente, para conquistar o torneio grande e de regularidade.

Citei apenas alguns problemas.

Mesmo assim é campeão.

Os aplausos

Os atletas e o treinador merecem enormes elogios. Podem entrar como heróis na grande lista de campeões pela agremiação.

Reitero: é a conquista mais impressionante da agremiação no torneio.

Como aconteceu no Estadual, no momento difícil para o Corinthians no torneio, no dérbi em Itaquera, jogou com a personalidade de campeão.

Por méritos

Se alguém quiser afirmar que não mereceu, pode dizer qual clube, nessa edição, foi melhor dentro do campo.