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Dybala é comparado a Neymar; muita calma nessa hora

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De Vitor Birner

O treinador da Juve afirmou numa das entrevistas antes do jogo diante do Barcelona, que Dybala e Neymar são nesse momento os melhores no mundo.

Ontem, no baile coletivo dos italianos, o 'hermano' foi quem individualmente mais brilhou.

No estrelado time catalão, apenas Messi teve boa atuação; Iniesta pouco fez, e Suárez sumiu em meio ao forte sistema de marcação.

Neymar acompanhou o padrão do centroavante e colega de agremiação.

Comparação tem fundamento.

Quem acompanha o futebol de clubes da Itália sabe, faz alguns anos, do grande potencial de Dybala, que desde a chegada ao país melhora dentro dos gramados.

Se mantiver o aprimoramento, a tendência é que seja indicado, ao lado de Neymar, nas futuras tolas disputas do prêmio da Fifa de craque da temporada. São candidatos a intrusos e talvez em breve sucessores na hegemonia protagonizada por Cristiano e Messi.

As distintas trajetórias dos habilidosos

Neymar, mesmo antes de poder se profissionalizar, recebia salário suficiente para sustentar a família. O Santos avaliou a capacidade da promessa e se garantiu pagando para manter o atleta.

Dybala, ao contrário, cumpriu trajetória mais dura.

O pai faleceu e foi morar no alojamento do Instituto, clube de Córdoba que o revelou, apesar de secular, pertence ao 'planeta da segundona'.

As duas principais conquistas foram em torneios de acesso à elite do futebol.

Dybala, na temporada 11\12 disputada pelos clubes que pretendiam chegar à elite 'hermana' do futebol, subiu para o elenco principal e rapidamente mostrou potencial. Fez gol diante do Rosario Central e jogou contra o River Plate (apenas para citar as agremiações mais tradicionais), que haviam sido rebaixados da principal divisão.

Quando tinha 17 anos o Palermo adiantou 3,5 milhões de euros para garantir a contratação. Aguardou completar a maioridade para inteirar os 12 milhões de euros pelo atleta que sequer atuou na elite 'hermana' do futebol.

Mostrou potencial assim que chegou à Itália, mas oscilou bastante, tal qual acontece com atletas de pouca rodagem e que necessitam adaptação. F oi titular 11 vezes, entrou durante outros 16 jogos e fez 4 gols.

Assistiu dez na reserva e o clube foi rebaixado.

Na Série B, conseguiu ter mais oportunidades. Iniciou 26 vezes no time principal, festejou 5 gols, 6 assistências e o retorno à elite do esporte.

Mais adaptado, se transformou no pilar do Palermo na temporada na 1° divisão.

Iniciou em 34 jogos, nunca foi substituído, comemorou 13 gols, fez 10 assistências e a Juve decidiu priorizar a sua contratação.

Fecharam negócio por 30 milhões de euros.

Na gigante, em 34 atuações no torneio de pontos corridos, conseguiu 19 gols e 9 assistências, e festejou um diante do Bayern de Munique na Liga dos Campeões.

Na atual temporada. além do desempenho elogiável no 'calcio', tem 4 gols no torneio continental; decidiu o jogo de Turin nas oitavas de final diante do Porto (1×0), e dobrou os acertos frente o Barcelona, o que pode ter classificado o time à semifinal.

Mais almejado no mercado de contratações  

Dyballa receberá ofertas das agremiações  mais endinheiradas do planeta. A dupla de gigantes na Espanha deve se candidatar.

A imprensa internacional afirmou que o Madrid, em janeiro, ofereceu 90 milhões de euros e Morata, avaliado em 30 milhões de euros, e a Juve recusou a fortuna.

O 'hermano' é o mais habilidoso do elenco. Tem grande potencial para ser atleta do topo da lista dos mais habilidosos dessa geração.

A direção dos italianos acertou.

Além de aumentar a possibilidade da conquistas, receberá propostas maiores.  Dyballa, seguido por Aubameyang, tende a ser o atleta mais cobiçado na aquecida janela de transferências do verão europeu.

Têm que continuar subindo os degraus

Dybala pode atuar como centroavante, pelos lados no ataque, ou no meio próximo da área.

É habilidoso, veloz, tem leitura de jogo, se mexe com facilidade para otimizar o sistema de criação, além de mostrar grande competência nas finalizações.

Neymar nasceu um ano, nove meses e 10 dias antes do 'hermano'.  Atua no time com proposta de futebol mais ousada e menos sólida que a do concorrente.

É complicado afirmar qual será mais aclamado.

O barcelonista tem o repertório de dribles maior, apesar de ambos serem fortes em tal fundamento. O revelado no Santos ganha, ao menos por enquanto, na virtude da imprevisibilidade construtiva nos gramados.

Outro ponto favorável ao Neymar é manter por mais jogos, apesar de oscilar, o alto nível de futebol.

 

A comparação, que muitos tal qual o técnico da Juve devem repetir, é cruel. O nascido aqui nunca teve que encarar uma segundona, e desde cedo tem privilégio de jogar em times com estilos que o favorece.

Teria que ver o concorrente atuando na liga da Espanha por uma das duas agremiações gigantes. Assim teria referência.

Na Itália os clubes são menos técnicos e os sistema de marcação mais fortes.

Hoje, Dyballa está para Neymar tal qual o atleta do Barcelona ao Cristiano e o Messi.

A distância diminuiu consideravelmente, quer alcançar, pode conseguir e é necessário fazer mais antes de chegar ao patamar igual.